O Gran Circo Norte-Americano estreou em Niterói em 15 de dezembro de 1961. Os anúncios diziam que era o maior e mais completo circo da América Latina, possuía cerca de 60 artistas, 20 empregados, e 150 animais. O dono do circo, Danilo Stevanovich, havia comprado uma lona nova, que pesava 6 toneladas. O circo chegou a Niterói, Rio de Janeiro, uma semana antes da estreia e instalou-se na praça Expedicionário, no centro da cidade.
A montagem do circo demandava tempo e muita mão de obra. Danilo contratou cerca de 50 trabalhadores avulsos para a montagem. Um deles, Adílson Marcelino Alves, mais conhecido como Dequinha, tinha antecedentes por furto e apresentava problemas mentais. Trabalhou 2 dias e foi demitido por Danilo Stevanovich. Dequinha ficou inconformado e passou a ficar rondando as imediações do circo.
Na estreia, 15 de dezembro de 1961, o circo estava tão cheio, que Danilo Stevanovich mandou suspender a venda de ingressos, para frustração de muitos. Nessa noite, Dequinha tentou entrar no circo sem pagar o ingresso, mas foi visto e impedido pelo tratador de elefantes, Edmílson Juvêncio.
No dia seguinte, 16 de dezembro, sábado, Dequinha continuava a perambular pelo circo e começou a provocar o arrumador Maciel Felizardo, que era constantemente acusado de ser culpado da demissão de Dequinha. Seguiu-se uma discussão e Felizardo agrediu o ex-funcionário, que reagiu e jurou vingança.
Na tarde de 17 de dezembro de 1961, Dequinha se reuniu com José dos Santos, o Pardal, e Walter Rosa dos Santos, o Bigode, com o plano de pôr fogo no circo. Eles se encontraram num local denominado Ponto de Cem Réis, na divisa do bairro Fonseca com o centro, e decidiram pôr em prática o plano de vingança. Um dos comparsas de Dequinha, responsável pela compra da gasolina, advertiu o chefe da lotação esgotada do circo e iminente risco de mortes. Porém, Dequinha estava irredutível: queria vingança e dizia que Stevanovich tinha uma grande dívida com ele.
Com três mil pessoas na plateia, faltavam 20 minutos para o espetáculo acabar, quando uma trapezista notou o incêndio. Em pouco mais de 5 minutos, o circo foi completamente devorado pelas chamas. 372 pessoas morreram na hora e, aos poucos, vários feridos morriam, chegando a mais de 500 mortes, das quais 70% eram crianças. Ironicamente, a fuga de um elefante da sua jaula, foi o que acabou por salvar imensa gente. O animal com sua força, arrebentou uma parte da lona, abrindo caminho a um maior número de pessoas. A lona era feita de tecido de algodão revestido de parafina, um material altamente inflamável.
Por coincidência, naquele dia, a classe médica do estado do Rio de Janeiro estava em greve. O Hospital Antônio Pedro, o maior de Niterói, estava fechado. A população arrombou a porta e, os médicos em greve foram sendo convocados através da rádio, pelos soldados do exército, os quais compareceram ao hospital de imediato. Médicos de clínicas privadas também foram atender no hospital. Inclusivamente, os cinemas e teatros de Niterói, Rio de Janeiro e outras cidades vizinhas interromperam seus espetáculos para averiguar se haveria médicos entre o público, tal foi a dimensão da catástrofe. Padres também foram convocados de emergência, para darem a extrema-unção às vitimas (católicas) que já se sabia que não tinham qualquer hipótese de sobrevivência. Nos dias seguintes, várias personalidades da elite fluminense e, brasileira no geral, deslocaram-se à Niterói para prestar o máximo de apoio e auxílio às vitimas. Dentre essas personalidades, destaca-se o então Presidente, João Goulart.
As agências funerárias não tinham o numero de caixões que eram necessários, para enterrar as vitimas mortais. O Estádio Caio Martins foi transformado numa oficina provisória para a construção rápida de urnas, com carpinteiros da região a trabalharem dia e noite. Os cemitérios municipais de Niterói logo ficaram lotados; assim, uma roça no município de São Gonçalo, vizinho de Niterói, foi usada de urgência como cemitério para enterrar os corpos restantes.
Com base no depoimento de funcionários do circo que acompanharam as ameaças de Dequinha, ele foi preso em 22 de dezembro de 1961, juntamente com seus cúmplices Bigode e Pardal.
Em 24 de outubro de 1962, Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão e a mais 6 anos de internação em manicômio judiciário, como medida de segurança. Em 1973, menos de um mês depois de fugir da prisão, Dequinha foi assassinado. Pardal foi condenado a 14 anos de prisão, e mais 2 anos em colônia agrícola. Bigode recebeu 16 anos de condenação, e mais 1 ano em colônia agrícola.
Fontes
Incêndio no Gran Circo Norte-Americano - Portal Globo
Da alegria ao terror, a tragédia do Gran Circus - Portal Terra
O espetáculo mais triste da Terra - O Estado de S. Paulo
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| Gran Circo Norte-Americano, Niterói 15 de dezembro de 1961. |
Na estreia, 15 de dezembro de 1961, o circo estava tão cheio, que Danilo Stevanovich mandou suspender a venda de ingressos, para frustração de muitos. Nessa noite, Dequinha tentou entrar no circo sem pagar o ingresso, mas foi visto e impedido pelo tratador de elefantes, Edmílson Juvêncio.
No dia seguinte, 16 de dezembro, sábado, Dequinha continuava a perambular pelo circo e começou a provocar o arrumador Maciel Felizardo, que era constantemente acusado de ser culpado da demissão de Dequinha. Seguiu-se uma discussão e Felizardo agrediu o ex-funcionário, que reagiu e jurou vingança.
Na tarde de 17 de dezembro de 1961, Dequinha se reuniu com José dos Santos, o Pardal, e Walter Rosa dos Santos, o Bigode, com o plano de pôr fogo no circo. Eles se encontraram num local denominado Ponto de Cem Réis, na divisa do bairro Fonseca com o centro, e decidiram pôr em prática o plano de vingança. Um dos comparsas de Dequinha, responsável pela compra da gasolina, advertiu o chefe da lotação esgotada do circo e iminente risco de mortes. Porém, Dequinha estava irredutível: queria vingança e dizia que Stevanovich tinha uma grande dívida com ele.
Com três mil pessoas na plateia, faltavam 20 minutos para o espetáculo acabar, quando uma trapezista notou o incêndio. Em pouco mais de 5 minutos, o circo foi completamente devorado pelas chamas. 372 pessoas morreram na hora e, aos poucos, vários feridos morriam, chegando a mais de 500 mortes, das quais 70% eram crianças. Ironicamente, a fuga de um elefante da sua jaula, foi o que acabou por salvar imensa gente. O animal com sua força, arrebentou uma parte da lona, abrindo caminho a um maior número de pessoas. A lona era feita de tecido de algodão revestido de parafina, um material altamente inflamável.
Por coincidência, naquele dia, a classe médica do estado do Rio de Janeiro estava em greve. O Hospital Antônio Pedro, o maior de Niterói, estava fechado. A população arrombou a porta e, os médicos em greve foram sendo convocados através da rádio, pelos soldados do exército, os quais compareceram ao hospital de imediato. Médicos de clínicas privadas também foram atender no hospital. Inclusivamente, os cinemas e teatros de Niterói, Rio de Janeiro e outras cidades vizinhas interromperam seus espetáculos para averiguar se haveria médicos entre o público, tal foi a dimensão da catástrofe. Padres também foram convocados de emergência, para darem a extrema-unção às vitimas (católicas) que já se sabia que não tinham qualquer hipótese de sobrevivência. Nos dias seguintes, várias personalidades da elite fluminense e, brasileira no geral, deslocaram-se à Niterói para prestar o máximo de apoio e auxílio às vitimas. Dentre essas personalidades, destaca-se o então Presidente, João Goulart.
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| A tragédia do Gran Circo Norte-Americano, Rio de Janeiro 15 de dezembro de 1961. |
| A tragédia do Gran Circo Norte-Americano, Rio de Janeiro 15 de dezembro de 1961. |
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| Dequinha, Pardal e Bigode. |
Fontes
Incêndio no Gran Circo Norte-Americano - Portal Globo
Da alegria ao terror, a tragédia do Gran Circus - Portal Terra
O espetáculo mais triste da Terra - O Estado de S. Paulo



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